As vozes já são tão manipuláveis quanto as imagens

Uma tecnológica canadiana vai lançar um serviço que consegue imitar vozes de forma precisa, com entoações e pausas.

A Lyrebird apresentou recentemente um novo software capaz de sintetizar vozes de forma precisa num curto espaço de tempo. E a tecnológica canadiana, formada por estudantes da Universidade de Montreal, diz que a sua nova IPA (interface de programação de aplicações) consegue fazê-lo com apenas um minuto de gravação.

A aplicação, no entanto, não se destaca pela criação de tons artificiais, mas pela facilidade com que imita vozes existentes. Num dos exemplos já publicados pela empresa, a Lyrebird consegue juntar Donald Trump, Barack Obama e Hillary Clinton a falar sobre a empresa. O resultado, ainda que distinguível, assemelha-se bastante às versões reais destes intervenientes robóticos.

Este não é o primeiro programa do género. No passado mês de novembro a Adobe apresentou uma tecnologia semelhante. No entanto, ao contrário desta, a versão da Lyrebird não requer uma gravação de 20 minutos para se transformar na voz que ouve. Em vez disso, só precisa de ouvir sessenta segundos, não só para imitar o tom de uma voz, como para articular diferentes entoações de forma autónoma.

Numa altura em que a empresa se prepara para lançar o software no mercado, enquanto uma app acessível através da cloud, as hipotéticas aplicações desta tecnologia deixam questões de ética e segurança no ar.

"Ao disponibilizarmos a nossa tecnologia ao público, queremos assegurar-nos que não existem quaisquer riscos. Esperamos que toda a gente possa perceber que esta tecnologia existe e que é possível copiar a voz de uma pessoa. De forma mais geral queremos chamar à atenção para o facto de que as gravações de áudio podem deixar de representar provas num futuro próximo", explica a Lyrebird.

Nas mãos erradas, este software pode ser utilizado para reproduzir vozes familiares a um utilizador para obter informações sensíveis, por exemplo. No entanto, a empresa acredita que a exposição da hipótese ao público pode ajudar as massas a inteirar-se de que as gravações, atualmente, são tão questionáveis quanto as imagens que vemos a circular online. As ferramentas de manipulação já existem para ambos os conteúdos.

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