Análise TEK: é bonito e poderoso, mas o pequeno Lenovo Yoga S940 não “cabe em qualquer bolso”

Direcionada ao mercado empresarial, a nova proposta da Lenovo chama a atenção pelas suas linhas simplistas, mas muito apelativas. No interior, esconde uma verdadeira "besta".

Análise TEK: é bonito e poderoso, mas o pequeno Lenovo Yoga S940 não “cabe em qualquer bolso”

O mercado está inundado de ultrabooks, pequenos portáteis essencialmente direcionados a profissionais que desejam todas as características da sua confortável secretária, enquanto se deslocam para a próxima apresentação ou reunião de trabalho. É o pensamento geral do “monte o escritório onde quer que esteja”, onde é necessário ter uma resposta rápida para multitarefas, autonomia para várias horas, e sempre que for preciso alimentá-lo, conseguir obter o máximo de carga, no menor tempo possível. E claro, os pequenos computadores devem realçar o “carisma” dos seus utilizadores, com um design de encher o olho, sobretudo pela sua simplicidade e sobriedade.

A Lenovo pretende responder a todos os segmentos e é por isso que se mantém na liderança na venda de computadores, com uma quota do mercado de 24,7 como mostra o estudo da IDC para o terceiro trimestre de 2019 (24,9% segundo a fabricante), mesmo num mercado que aponta um crescimento mínimo de cerca de 1% face ao ano passado, como a própria fabricante reconheceu durante uma entrevista ao SAPO TEK no Web Summit.

A fabricante chinesa pretende explorar o segmento empresarial com diferentes propostas, apostando num design altamente elegante, mas mantendo-se simples ao seu conceito. Ainda recentemente a empresa apresentou o Thinkbook “destinado a pessoas especiais”, numa estreia ibérica onde o aspeto estético, cor, design e material de construção são escolhidos “a dedo”. E se esse computador foi concebido exatamente para a Gen Z e Millennials, atualmente responsáveis por 35% da força de trabalho a nível mundial, o Yoga S940 é direcionado aos empresários “mais experientes” e com maiores orçamentos para investir na sua comodidade de trabalho.

A linha Yoga é considerada a jóia da coroa da Lenovo, e é impossível não olhar para o S940, mesmo antes de o ligar, sem ocorrer o desejo de o ter pela sua elegância. É aquele sentimento de “amor à primeira vista” pelo seu design apelativo e pegando nele revela-se leve (1,2 quilos), mas ao mesmo tempo um toque frio, como uma pedra de gelo, devido aos materiais em alumínio cinzento escuro que compõem o seu chassis.

A Lenovo conseguiu um excelente equilíbrio na composição do Yoga S940 no que diz respeito ao seu tamanho. É pequeno para o “esquecer” numa qualquer mochila ou pasta, mas suficientemente grande para ser confortável a trabalhar. É impressionante como as diversas fabricantes estão a reduzir cada vez mais os bezels do display, aumentando a área livre do ecrã em chassis mais pequenos. No caso do S940, o display tem um vidro contínuo, com bordas e vértices arredondados dando-lhe um toque extra de classe. E a moldura é extremamente fina, com quatro milímetros nas laterais, oito milímetros na inferior e cinco milímetros na parte superior, traduzindo-se numa área útil de display de 13,9 polegadas num chassis de 13 polegadas.

Chassis com linhas finas e design premium

De notar o pequeno orifício da webcam albergada numa espécie de notch, que se expande ligeiramente para o lado exterior da moldura superior, sem comprometer a necessidade de expandir o bezel. Este design, para além de prático a resguardar a webcam, concede-lhe um estilo adicional e onde foi gravado a marca “Yoga 9 series” em caracteres com relevo.

Devido à sua moldura fina, a parte inferior que contém as dobradiças do computador que ligam o ecrã à base estão muito juntinhas, pelo que o computador não abre mais que um ângulo de uns 100 graus. Ou seja, uma leve inclinação para trás, mas o suficiente para o utilizar confortavelmente no colo, caso necessite escrever durante uma conferência, por exemplo.

Tek Lenovo Yoga S940
O teclado tem formato em chiclete, mas são muito rasas, requerendo alguma habituação face aos portáteis convencionais.

O ecrã UHD 3840×2160 de resolução (4K) apresenta tecnologia IPS (In-Plane Switching) que na prática permite uma maior visão da imagem em diferentes ângulos de posicionamento. Isto significa que pode colocar o dispositivo em qualquer posição e vai continuar a ver a imagem com toda a qualidade, sem ser incomodado por sombras e brilhos presentes nos displays convencionais. Infelizmente o ecrã não é tátil, o que seria de exigir para um computador desta gama.

Ainda no que diz respeito ao chassis, pode encontrar nas extremidades da base as colunas, alimentadas pela tecnologia Dolby Atmos. O computador não oferece um som pujante, em termos de níveis de volume, mas é claro o suficiente para poder desfrutar filmes ou músicas em ambientes mais calmos, até porque testando no YouTube, por exemplo, falha na apresentação dos baixos, um pouco pelas suas dimensões muito compactas. Para ter uma ideia, fechado, o S940 tem 1,2 centímetros de espessura.

O teclado retro iluminado mantém um formato de teclas semelhante aos demais computadores da marca, bem espaçadas, o que dá um bom conforto a escrever. No entanto, as teclas são muito rasas, o que requer alguma habituação dos utilizadores que costumam utilizar configurações mais elevadas do convencional teclado “pastilha elástica”. O touchpad é muito sensível e cursor responde bem ao deslizar do dedo.

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Já o botão de energia, situado no topo direito da base, é discreto e com uma luz de presença, mas infelizmente não tem o sensor de impressões digitais, à semelhança do novo Thinkbook. Pode sempre configurar a webcam com o Windows Hello e autenticar-se via reconhecimento facial, algo que durante os testes revelou-se eficaz de um modo geral, permitindo abrir a tampa e fazer log in, sem a necessidade de tocar no computador. No entanto, nem sempre funcionou bem em locais com menor intensidade de iluminação.

O computador utiliza algumas funcionalidades inteligentes, nomeadamente quando se levanta da secretária ou se afasta da frente do equipamento, este escurece o ecrã automaticamente, guardando qualquer trabalho em decurso, para que desligue, mantendo em segurança os dados, assim como contribui para a poupança da bateria.

Pequeno, mas poderoso por dentro

Relativamente à conectividade, no lado esquerdo do chassis encontra a entrada de alimentação via USB-C, utilizando um pequeno transformador de 65W. Ao lado a entrada jack 3,5 mm para ligação de auscultadores. De notar que o portátil descarta por completo qualquer entrada USB-A, apostando em duas slots para USB-C compatíveis com Thunderbolt 3. Juntamente com o equipamento vem o HUB adaptador externo para HDMI e VGA.

Tek Lenovo Yoga S940
O portátil apresenta linhas de luxo, sobressaindo-se entre os seus pares.

Em termos de hardware, a Lenovo equipou este pequeno portátil de luxo com um poderoso processador Intel Core i7 de oitava geração a 1,80 GHz, baseado no chip de arquitetura Kaby Lake de 14 nm. Tem 16 GB de RAM e um SSD de 1 TB, e se não fosse a gráfica modesta, uma Intel UHD 620, faria certamente corar muitos computadores gaming que andam por aí. Mas este não é o objetivo deste modelo, por isso a decisão acertada de lhe dar poder de processamento, excelente memória e muito espaço de armazenamento flash, o que permite ligar o computador e começar a trabalhar em poucos segundos, tendo valido o selo de certificação do projeto Athena da Intel.

A Lenovo promete uma autonomia de até 15-17 horas da bateria em FHD, em condições específicas. Como é habitual, estão disponíveis diversas ferramentas de poupança de energia, mediante as necessidades de utilização. Obter uma dezena de horas (na configuração 4K) a escrever, algumas páginas de browser e email ligado já parece uma vitória desta configuração. Como qualquer equipamento, a autonomia é muito relativa e neste caso, segundo o software Speccy, a bateria com 97% de carga apresentou 10:15 minutos até ao próximo carregamento, o que é bom.

Em conclusão, o Lenovo Yoga S940 é um dos mais atraentes e funcionais ultraportáteis do mercado. Ninguém fica indiferente ao seu design em alumínio, às linhas arredondadas e uma área de display impressionante para o tamanho do chassis, seguindo a nova tendência do segmento. É leve, cabe discretamente em qualquer mochila e no seu interior esconde uma configuração preparada para qualquer tipo de trabalho, desde a edição rápida de vídeo ou fotografia ou tarefas multitasking. Mas terá de ter em conta o seu valor igualmente de “luxo”, a arrancar nos 2.200 euros (segundo o comparador KuantoKusta). E por esse preço não se compreende que não tenha funcionalidades como um ecrã tátil ou mesmo autenticação adicional com impressões digitais.

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Fonte: SAPO Tek

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