A internet não é um espaço sem lei onde “posso tudo e ninguém me acha”, avisa inspector da PJ

Num webinar transmitido esta quinta-feira pela Direção Geral da Educação, o inspetor da unidade de cibercrime da PJ, Jorge Duque, enumerou vários riscos que derivam da utilização da internet e vários comportamentos preventivos que os utilizadores devem adotar em navegação.

No âmbito das comemorações de mais um dia da Internet Mais Segura, a Direção Geral da Educação convidou Jorge Duque para uma reflexão acerca das problemáticas que derivam da presença no mundo cibernético.

Num webinar – a que pode assistir através deste link – o inspetor chefe da PJ, que trabalha diariamente na recém-formada Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), sublinhou durante 40 minutos os diferentes riscos a que os utilizadores se expõem quando contactam com a internet.

Tendo em conta a atualidade, em que circulam diariamente cerca de “30 milhões de novas mensagens de spam” num universo onde “78% dos utilizadores portugueses não sabe como se proteger”, Jorge Duque começou por sublinhar a urgência que existe na formação dos mais velhos.

Dada a natural relação educativa entre gerações, o inspetor nota que os mais velhos têm de aprender “uma nova linguagem” que já é dominada pelos jovens ou correm o risco de ser descredibilizados perante estes em debates sobre os meios tecnológicos. “Só podemos tirar o melhor partido das potencialidades [da internet] se conhecermos os riscos”, disse o responsável, acrescentando que os pais, os professores e os avós desempenham um papel essencial na orientação dos mais novos.

Mas antes dos riscos, Duque fez questão de frisar que todos podemos ajudar a limpar a internet mediante uma atitude consciente e caso decidamos “transportar as regras do civismo” para o mundo online. Nestes casos, todas as gerações podem (e devem) ajudar a denunciar os comportamentos mais erróneos e os conteúdos ilegais que são, todos os dias, partilhados e publicados.

Das consequências nefastas inerentes à má utilização do universo digital, o responsável da PJ começou por chamar à atenção para as aplicações aparentemente gratuitas que são instaladas nos equipamentos móveis. Tendo em conta o custo zero, aparentemente pago pela utilização destes serviços, o inspetor sublinha que estas “não são gratuitas” porque passam a ter acesso a uma quantidade enorme de informações sobre as pessoas que as descarregam. Nestes casos, servindo como moeda de troca, esta porta é aberta às empresas pelos próprios internautas que não se dão ao trabalho de ler as regras e condições exigidas para a adesão a uma destas plataformas. Ao instalar uma aplicação “estamos a expôr informação sensível e ficamos em risco”, explicou Jorge Duque.

Apesar de muitas vezes o Facebook, o Google Maps, o YouTube e outras apps potencializarem sessões de entretenimento, “a produção pessoal de conteúdos, o envolvimento em comunidades, a progressão na carreira ou a partilha de experiências”, o especialista avisa que há uma outra face, mais negra, na mesma moeda.

Os riscos agudizam-se com a utilização das redes sociais onde tudo fica acessível a toda a gente. Temos por isso, segundo o inspetor, de ter em conta que a “perpetração de crimes em casa, começa a ser mais provável do que na rua”. Através da utilização de determinados equipamentos e programas, fotografias e mensagens podem ser utilizadas contra os seus próprios autores.

“Não se devem fornecer dados pessoais inadvertidamente; não se deve aceitar pedidos de amizade se os conteúdos da página nos deixar desconfortáveis; não se deve responder a comentários ou conteúdos ofensivos; deve-se verificar as contas das pessoas que adicionamos; deve-se colocar os perfis privados; adicionar apenas pessoas conhecidas; não expor informações sobre terceiros; e ter cuidado com as fotografias publicadas”, são apenas alguns dos cuidados enumerados pelo investigador da UN3CT. As consequências de não adotar um comportamento preventivo, aponta, podem ser drásticas. Com a apropriação de imagens e informação sensível, outros utilizadores podem manipulá-la e, em casos extremos, levar os autores ao “suicídio, à perda de anos letivos – por não saber lidar com os pares e com o resto da comunidade escolar [depois da exposição dessa informação], à perda do emprego e até à separação de um casal”.

A internet, claro, “não é um espaço sem lei onde ‘posso tudo e ninguém me acha'”, como nota Jorge Duque. Existem leis que se lhe aplicam e que podem funcionar em benefício das vítimas de ataques ou intimidações cibernéticas. Para a agilização de processos com as autoridades, o inspetor deixa ainda algumas dicas: “registar URLs suspeitos, nomes de utilizadores e IP do interlocutor quando for possível obter essa informação. Deve-se copiar as publicações em questão ou as conversações mantidas com o prevaricador, guardar mails e imprimir os cabeçalhos técnicos. Fixar hora e data dos acontecimentos, nunca apagar nada dos conteúdos e comunicar, o mais depressa possível, a alguém mais velho”.

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